Maio é o mês de conscientização sobre o DAP e o TARE, mas você sabe o que isso significa?
DAP é a sigla para Distúrbio
Alimentar Pediátrico, envolve um diagnóstico multiprofissional, com critérios
específicos e associação com um ou mais de 4 disfunções, pode ser diagnosticado
pelo fonoaudiólogo, ou outros profissionais da área da saúde.
O TARE é o Transtorno Alimentar
Restritivo Evitativo e envolve diagnóstico médico, e de saúde mental.
No DAP, o fonoaudiólogo tem papel
central na avaliação e intervenção das habilidades alimentares gerais e
principalmente motoras orais, observando aspectos como mastigação, coordenação
oral, transição de texturas, eficiência e segurança da deglutição. Também atua
no desenvolvimento da competência alimentar, autonomia da criança e
participação nas refeições, além de orientar familiares e cuidadores sobre
práticas responsivas e organização da rotina alimentar e do ambiente. Sua
atuação acontece de forma interdisciplinar, em conjunto com terapia
ocupacional, nutrição, psicologia, medicina, e outras áreas envolvidas no
cuidado da criança.
No TARE, o papel do fonoaudiólogo
está mais relacionado aos fatores funcionais que sustentam a restrição
alimentar, especialmente quando há dificuldades que envolvem texturas e
consistências - questões sensoriais (porém a terapia ocupacional que vai fazer
a integração sensorial), e dentro do contexto de terapia alimentar responsiva.
O trabalho envolve ampliar a segurança e o conforto alimentar, e apoiar a
construção de experiências positivas com os momentos de refeição e
consequentemente com os alimentos em si. Embora o diagnóstico seja
psiquiátrico, o fonoaudiólogo, assim como outras áreas da saúde e educação,
contribuem na terapia alimentar.
Sinais de alerta:
Os sinais de alerta para
dificuldades alimentares na infância vão além da “seletividade” e envolvem
situações em que a alimentação começa a impactar em mais âmbitos da vida da
criança e da família. Por exemplo: o crescimento, o desenvolvimento, a saúde ou
a dinâmica familiar. Entre os principais sinais estão: baixo ganho de peso ou
perda de peso persistente, engasgos, tosse, ânsia de vômito ou vômitos
frequentes durante as refeições, além de dificuldades na coordenação entre
respiração e alimentação. Também chamam atenção crianças que apresentam grande
sofrimento ao comer, arqueiam o corpo, choram frequentemente nas refeições ou
possuem histórico de experiências traumáticas, como episódios importantes de
engasgo.
Outro ponto importante é observar
o desenvolvimento das habilidades alimentares. A dificuldade para avançar
texturas na transição alimentar para alimentos sólidos ou uso outros
utensílios, dentro das faixas etárias esperadas pode indicar alterações motoras
orais, sensoriais ou comportamentais relacionadas à alimentação. Prestar
bastante atenção quando a criança aceita uma quantidade muito limitada de
alimentos, exclui grupos inteiros de texturas ou deixa de comer alimentos que
antes aceitava sem substituí-los por novos.
Além dos sinais apresentados pela
própria criança, a dinâmica familiar durante as refeições também é um indicador
relevante. Refeições que se transformam constantemente em batalhas, pais
extremamente preocupados, cansados ou angustiados com a alimentação da criança
e relatos frequentes de que a criança é “muito difícil de alimentar” podem
indicar que a dificuldade já está impactando o bem-estar emocional da família.
Quanto mais cedo esses sinais forem identificados, maiores as chances de uma
intervenção preventiva e de melhores desfechos para a criança e sua família.
Colaboração: fonoaudióloga Ana
Carolina Battezini